Prints revelam “obsessão” de tenente-coronel por subordinada mesmo casado


Por meio de evidências fotográficas, uma perícia da Polícia Civil de São Paulo documentou investidas inadequadas, propostas de benefícios profissionais e tentativas de aproximação pessoal por parte do tenente-coronel Geraldo Neto a uma soldado da Polícia Militar de São Paulo. As investidas aconteceram enquanto ele ainda estava casado com Gisele Santana.

A investigação foi iniciada após uma denúncia de assédio apresentada contra ele, que também é suspeito de matar a própria esposa com um tiro na cabeça, na sala do apartamento onde residiam, em São Paulo.

O documento ao qual a reportagem da CNN Brasil teve acesso mostra os diálogos do tenente-coronel com a soldado que o acusa de assédio.

Assédio moral e ordem para “passar café”

De acordo com o documento pericial, as mensagens extraídas demonstram que o tenente-coronel utilizava sua posição hierárquica para tentar estabelecer uma relação íntima com a subordinada.

A relação passava também por uma série de abusos de atribuição, inerentes a função exercida pela soldado no cumprimento de suas funções.

Em um diálogo, o superior pressiona que ela passe café para ele e colegas tomarem café da tarde.

O pedido foi sucedido de uma promessa de “promoção”. O tenente-coronel disse que havia pedido o nome da soldado para que ser sua “secretária”. A soldado declinou do convite.

De acordo com os registros de conversas de WhatsApp analisados em um parecer técnico, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto (identificado nas mensagens como Neto) pediu à Soldado que fizesse café em diversas ocasiões • Reprodução • CNN Brasil

Aproximação da residência e convite para ir à missa

De acordo com o parecer técnico que analisou as conversas de WhatsApp, o tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que pretendia morar perto da soldado.

Em mensagens enviadas no dia 6 de setembro de 2025, o oficial relatou ter ido à rua do condomínio da soldado sem ter sido convidado e elogiou a estrutura do local.

Acho que vou ver um apartamento pra eu morar aí“, disse em mensagem enviada.

Em outras mensagens, tenente-coronel Geraldo Neto convida a soldado para frequentarem juntos uma missa. Segundo ele, a ideia surgiu após uma “conversa com Deus”.

Imagens mostram o tenente-coronel Geraldo Neto convidando a Soldado para ir à missa • Reprodução • CNN Brasil

Pedido de namoro e beijo

O tenente-coronel fez pedidos explícitos de namoro e de beijo à soldado em diversas ocasiões. Os pedidos eram insistentes e contundentes.

O oficial enviou mensagens de teor sexual. Veja abaixo:

O oficial enviou mensagens de teor sexual afirmando: “Não vejo a hora de te dar um beijo bem gostoso nessa sua boca deliciosa” e, diante da negação da soldado, insistiu escrevendo: “Me dá um beijo então” • Reprodução • CNN Brasil

Em mensagens posteriores, ele declarou que seu propósito era “ficar, namorar, noivar e casar” com ela. Ele chegou a projetar uma vida familiar, mencionando o desejo de que tivessem um filho juntos após o casamento.

“Do bem, religioso, honesto e bom caráter”

Ele diversos registros de mensagens via WhatsApp, o tenente-coronel se descrevia como um homem com uma série de virtudes, buscando reforçar sua imagem diante da subordinada.

O oficial tenta justificar suas investidas e convencer a colega de suas boas intenções, utilizando termos como “eu sou um homem bom“, “sou do bem” e possuo “bom caráter“.

De acordo com os registros de mensagens de WhatsApp analisados no parecer técnico, o tenente-coronel Geraldo Neto enviou uma mensagem à Soldado Rariane na qual descreve a si mesmo com uma série de virtudes, buscando reforçar sua imagem diante da subordinada • Reprodução • CNN Brasil

A soldado havia pedido afastamento do tenente-coronel depois que a esposa dele, na época também soldado da Polícia Militar de São Paulo, chegou a entrar em contato com a subordinada, através de uma rede social.

Ciente das negativas das investidas anteriores e do conhecimento da soldado sobre seu “status” de relacionamento, Geraldo Neto seguiu se classificando como um homem “religioso“, “honesto“, “trabalhador“, “educado” e “dedicado“.

Denúncia na Corregedoria

O caso foi denunciado pela defesa da soldado na Corregedoria da Polícia Militar. No documento, a defesa da policial acusa Neto de descumprimento de missão, assédio sexual, assédio moral, ameaça e fraude processual.

Em nota, a defesa de Geraldo Neto afirmou que não possui ciência sobre a denúncia.

A CNN Brasil também procurou a Corregedoria da Polícia Militar, mas não obteve respostas até o momento. O espaço segue aberto.

Relembre o caso

A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na região central de São Paulo, no último dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.

A mudança de rumo na investigação ocorreu após a análise de laudos periciais, depoimentos e evidências extraídas de dispositivos eletrônicos.

Segundo o relatório da Polícia Civil e a denúncia do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), há um conjunto consistente de elementos que afastam completamente a hipótese de suicídio.

Entre os pontos centrais estão contradições do tenente-coronel, indícios de manipulação da cena do crime e sinais claros de violência anterior à morte. De acordo com a versão apresentada pelo tenente-coronel, ele teria ouvido o tiro poucos instantes após sair do quarto da esposa.

O exame necroscópico confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido.

Além disso, peritos encontraram lesões no rosto e no pescoço, incluindo marcas de dedos e arranhões, indicando que Gisele foi imobilizada antes de ser morta. Hematomas na região dos olhos também apontam para agressões anteriores ou simultâneas ao disparo.

Neto foi declarado réu por matar Gisele e tentar ocultar o crime. O oficial permanece preso preventivamente por decisão judicial.

Inicialmente, o caso seria julgado pelo Tribunal Militar, mas, após pedido da defesa da família de Gisele, ele foi transferido para a Justiça Comum.



Fonte:CNNBrasil Autor: robertosouza

*Conteúdo produzido com suporte de IA