Realidade descrita de ambiente sem manutenção e com itens deteriorados é “revoltante”, dizem parentes
Suporte de soro enferrujado, poltrona de acompanhante rasgada e marmita que revoltou filha de paciente (Foto: Direto das Ruas)
O susto é grande na hora da visita, denunciam parentes de pessoas internadas no Hospital Militar de Campo Grande. No quarto minúsculo da enfermaria, a cena descrita é insalubre, desenhada por paredes descascadas, suporte de soro enferrujado, poltrona rasgada e lençol encardido amarrado com nós à cama.
Familiares de pacientes internados no Hospital Militar de Campo Grande denunciam condições precárias nas enfermarias, com paredes descascadas, suportes de soro enferrujados, poltronas rasgadas e alimentação servida em marmitas inadequadas. Relatos apontam ainda falta de triagem no pronto-socorro e ausência de identificação de pacientes nos leitos. O hospital, questionado desde março, informou que levanta as informações, mas não respondeu no prazo.
Para fechar o quadro, que nada combina com o ambiente médico, foto mostra na mesinha de refeições uma marmita de alumínio servida ao paciente, “como se fosse entregue em um canteiro da construção civil”, relata a filha de um militar da reserva, submetido à cirurgia no Hospital Militar.
“Meu pai se dedicou ao Exército, ama as Forças Armadas, paga o Fusex, que é o plano de saúde deles. Ver um senhor internado em um lugar assim, sem qualquer cuidado, manutenção ou conforto, é revoltante”, diz a mulher, que pede para não ser identificada por respeito ao pai.
Nas imagens enviadas à redação, tudo parece estranho, levando em conta se tratar de um ambiente hospitalar. O banheiro antigo parece sujo, a pintura gasta tem vários pontos descascados, mas o pior é a condição enferrujada de peças básicas, como o suporte de soro e o mobiliário, visivelmente sem manutenção. “A impressão que fica é péssima. Se nem poltrona decente tem, se nem um simples suporte de soro pode ser pintado ou trocado, a gente imagina como é lá no centro cirúrgico”.
Na percepção dela, a cena da marmita fala bastante sobre os processos dentro do hospital. “Não acreditei quando vi, parece que estão alimentando operário de uma obra. O paciente já está fragilizado, aí chega um enfermeiro com uma marmita? Cheia de carne super temperada? Nem no pior hospital do SUS deve ser assim. Parece que pegaram do refeitório dos soldados e trouxeram, sem cuidado nenhum. Não tem como acreditar que o resto dos processos é feito dentro do que preconizam as normas de saúde”, reclama.
Ela diz que foi aos quartos ao lado e verificou a mesma situação. “Conversei com a família de outra paciente, que tinha passado por cirurgia, e eles reclamaram a mesma coisa. Inclusive, a poltrona do quarto estava exatamente igual, com um rasgo de ponta a ponta. Como deixam chegar a essa situação? Estamos falando do Exército, que tem um contingente enorme de pessoas trabalhando. Não é possível, por exemplo, que não haja condições de produzir uma alimentação adequada, aqui mesmo no hospital”.
Lenço amarrado e pedado de madeira encontrado na marmita (Foto: Direto das Ruas).
No mês passado, outra denúncia contra o Hospital Militar chegou ao Campo Grande News. O problema, segundo esse relato, começa na falta de triagem para atender pacientes. O professor e assistente social Josué Lemes disse, à época, que há anos reclama do atendimento dado à sogra, de 67 anos, usuária do Fusex.
Ele procurou a Ouvidoria do hospital e também enviou denúncia ao Ministério Público Militar, em Brasília, tentando forçar alguma mudança. “Há 15 anos levamos minha sogra ali e só piora. Não é só para ela, é para todo mundo”, disse.
Josué afirma que o pronto-socorro está sempre cheio e, na última vez que esteve no local, não havia ninguém para fazer a avaliação inicial da paciente. “Um militar na recepção só falou: bate lá na porta e fala com o médico”, relatou. Esse tipo de triagem é exigido pelas regras do Ministério da Saúde.
Ele também aponta problemas na estrutura. A sogra, que tem problemas cardíacos e renais, faz hemodiálise e hoje usa cadeira de rodas, teria ficado em um quarto com itens de apoio comprometidos.
“A barra de apoio estava quase solta e a poltrona rasgada”, disse. Segundo ele, também não havia nenhuma identificação visível da paciente no leito, como pulseira ou etiqueta, o que pode gerar confusão no atendimento.
Durante a internação, outro episódio chamou atenção. Josué afirma que encontrou um pedaço de madeira na marmitex servida à paciente e ao acompanhante.
Sem respostas
Desde a primeira denúncia, no dia 10 de março, a reportagem procura respostas do Hospital Militar de Área de Campo Grande. Hoje, a instituição foi questionada novamente sobre a qualidade das acomodações, condições da estrutura, manutenção de equipamentos e a forma como é feita a alimentação dos pacientes.
Também foram solicitadas informações sobre o orçamento anual da unidade, investimentos em infraestrutura e eventual previsão de reformas ou substituição de mobiliário.
A reportagem ainda questionou se a presença de equipamentos em estado de conservação comprometido, como peças enferrujadas, representa risco aos pacientes, além de pedir esclarecimentos sobre a origem da alimentação e se há planejamento nutricional conforme o quadro clínico de cada internado.
Em resposta, o hospital informou, por meio da 9ª Região Militar, que está levantando as informações solicitadas. Segundo o posicionamento enviado por e-mail, o retorno completo será encaminhado posteriormente.
Até a publicação desta reportagem, não houve envio das respostas detalhadas dentro do prazo informado. O espaço segue aberto para manifestação.
Fonte:Campograndenews.com.br Autor:
*Conteúdo produzido com suporte de IA



