Deputado Federal de Mato Grosso do Sul, Marcos Pollon (PL), está na lista de novos alvos de investigação relacionada aos repasses de emendas para produção do filme “Dark Horse” (Foto: Agência Câmara)
O deputado federal Marcos Pollon (PL) voltou ao centro da investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar aparece entre os autores de emendas cuja destinação é apurada pela PF (Polícia Federal), mas nega que recursos de sua autoria tenham chegado à produção.
O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) voltou ao centro das investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a PF a acessar provas da Polícia Civil de São Paulo ligadas à produtora Go Up Entertainment. A investigação apura emendas de parlamentares do PL, mas Pollon nega repasses ao filme, afirmando que os recursos foram destinados ao Hospital de Câncer de Barretos.
Ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a PF a acessar provas recolhidas pela Polícia Civil de São Paulo em endereços ligados à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa-metragem. A decisão permite o compartilhamento de documentos, relatórios e dados extraídos de equipamentos apreendidos na operação realizada em junho.
Essa medida amplia uma apuração já aberta para verificar se emendas apresentadas por deputados do PL, entre eles Pollon, Mário Frias (SP) e Bia Kicis (DF), tiveram recursos direcionados à produtora ou a entidades relacionadas aos responsáveis pelo filme.
A inclusão das emendas na investigação não significa, por si só, que o dinheiro tenha sido efetivamente transferido para o longa ou que os parlamentares tenham cometido irregularidades. Esse é justamente um dos pontos que a PF tenta esclarecer com o cruzamento das provas.
Em nota enviada ao Campo Grande News, a assessoria de Pollon afirmou que não houve emenda destinada ao “Dark Horse” e que nenhum recurso foi repassado à instituição mencionada na investigação.
“Não houve emenda do deputado Marcos Pollon ao filme ‘Dark Horse’, conforme já respondido ao Supremo Tribunal Federal em abril. Nunca houve repasse de recursos para a instituição mencionada na reportagem”, informou.
Segundo a assessoria, a emenda de R$ 1 milhão estava relacionada ao projeto de série documental “Heróis Nacionais: Filhos do Brasil que Não Se Rende”, mas a proposta não saiu do papel.
“A emenda para o projeto de série documental nunca foi concretizada e também não houve assinatura de convênio. Os recursos foram direcionados para o Hospital de Câncer de Barretos, que atende mais de 150 mil residentes de Mato Grosso do Sul”, acrescentou.
A destinação havia sido noticiada anteriormente pelo Campo Grande News. Na ocasião, Pollon declarou que o recurso seria encaminhado a São Paulo para uma “produção cultural” de perfil conservador. A destinatária indicada era a ANC (Academia Nacional de Cultura).
O deputado afirmou, naquela oportunidade, que a iniciativa reunia parlamentares conservadores e era liderada pelos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Mário Frias. Agora, a assessoria sustenta que o projeto não foi concretizado, não teve convênio assinado e não recebeu o dinheiro.
A investigação federal procura verificar se havia ligação entre essas propostas culturais, entidades beneficiárias de emendas e a estrutura usada na produção do “Dark Horse”. Ou seja, até o momento, não foi divulgada prova de que a emenda indicada por Pollon tenha financiado o longa.
Contrato de R$ 108 milhões – As provas liberadas por Dino foram reunidas pela Polícia Civil paulista durante uma investigação sobre um contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, também proprietária da Go Up Entertainment.
O contrato previa a oferta gratuita de internet a comunidades carentes. A polícia apura possíveis irregularidades e desvios, além da suspeita de que parte dos recursos possa ter sido utilizada pela equipe do filme. Karina não se manifestou às reportagens nacionais que divulgaram o caso.
A autorização para o compartilhamento foi concedida por Dino na sexta-feira (21). Com isso, a PF poderá confrontar o material apreendido em São Paulo com os dados da investigação sobre as emendas parlamentares. A decisão e o compartilhamento das provas foram noticiados pela Folha de S.Paulo e confirmados por outros veículos.
Em outra frente, sob relatoria do ministro André Mendonça, são investigados os repasses privados ao filme e as conversas em que Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Essa apuração é diferente daquela conduzida sob responsabilidade de Dino.
Fonte:Campograndenews.com.br Autor:
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