Pelo menos 287 crianças aguardam, em Campo Grande, por tratamento de deformidade nos pés
Entrega da primeira etapa do hospital foi realizada na manhã desta quinta-feira (Foto: Malú Pessota)
Pelo menos 287 crianças aguardam, em Campo Grande, por cirurgia de correção de pé torto congênito. A espera, que pode comprometer de forma definitiva a qualidade de vida dos pacientes, deve começar a diminuir com a entrega da obra do Hospital da Criança e do Adolescente com Deficiência de Mato Grosso do Sul, realizada na manhã desta quinta-feira (2) pela Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Campo Grande). A unidade ainda passará pela etapa de instalação dos equipamentos antes de iniciar os atendimentos.
A Apae de Campo Grande inaugurou nesta quinta-feira (2) o primeiro Hospital da Criança e do Adolescente com Deficiência de Mato Grosso do Sul. A unidade, localizada na Vila Progresso, deve iniciar operações em janeiro de 2027 e realizará cerca de 100 cirurgias mensais pelo SUS, com prioridade para 287 crianças que aguardam cirurgia de correção de pé torto congênito. O investimento total é de R$ 15 milhões, sendo R$ 8 milhões destinados pelo deputado federal Geraldo Resende.
A unidade, localizada na Rua São Miguel, nº 149, na Vila Progresso, será a primeira do Estado dedicada exclusivamente à realização de cirurgias eletivas em crianças e adolescentes com deficiência. A expectativa é que o hospital entre em funcionamento em janeiro de 2027, após a instalação dos equipamentos que ainda precisam ser adquiridos.
Leonardo Moreira Leal diz que o primeiro foco do hospital será atender crianças que aguardam cirurgia de correção do pé torto congênito. (Foto: Juliano Almeida)
Segundo o coordenador técnico da Apae, Leonardo Moreira Leal, a prioridade será justamente reduzir a fila de pacientes com pé torto congênito, condição que exige cirurgia dentro de um período considerado decisivo para evitar sequelas permanentes. “Nos últimos seis meses, contabilizamos 287 crianças aguardando essa cirurgia só na Capital. Já a fila da ortopedia pediátrica, como um todo, ultrapassa 600 pacientes”, afirma.
Ele explica que o tratamento começa antes mesmo da cirurgia, com a aplicação de gessos seriados, e continua no pós-operatório com novas etapas de imobilização e reabilitação. “Se a criança não operar até os quatro anos de idade, o problema se torna irreversível, porque a formação óssea já estará completa e o pé não consegue mais retornar à posição correta. Quando o tratamento é realizado no tempo adequado, a criança pode ter uma vida normal. Sem isso, há casos em que ela passa a depender de cadeira de rodas pelo resto da vida”, ressalta.
Inicialmente, o hospital realizará cirurgias ortopédicas, mas a proposta é ampliar gradualmente o atendimento para outras especialidades, como correção de fissura labiopalatina, oftalmologia pediátrica, cirurgias de hérnia e outros procedimentos congênitos de pequeno porte.
De acordo com Leonardo, ainda faltam equipamentos para que a unidade possa iniciar as atividades, parte dos aparelhos é importada. Os pacientes serão encaminhados pela regulação estadual, permitindo o atendimento de crianças de todas as regiões de Mato Grosso do Sul.
O presidente da Apae Campo Grande, Luiz César, destaca que um dos diferenciais da unidade será a integração entre cirurgia e reabilitação. “A criança será operada e seguirá diretamente para o nosso centro de reabilitação. No caso do pé torto congênito, esse acompanhamento é indispensável. Sem ele, todo o resultado alcançado com a cirurgia pode ser comprometido”, explica.
A estrutura terá capacidade para realizar cerca de 100 cirurgias por mês, todas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O prédio conta com dez apartamentos para internação, com previsão de ampliação para outros dez, além de duas salas cirúrgicas e uma terceira destinada a procedimentos de menor complexidade.
Segundo Luiz César, a criação da unidade busca resolver um problema recorrente enfrentado pelas famílias: o adiamento constante das cirurgias eletivas. “Esses procedimentos costumam ser remarcados porque os hospitais gerais precisam priorizar atendimentos de urgência e emergência. Com um hospital exclusivo para essas crianças, esse ciclo de cancelamentos tende a diminuir”, afirma.
Deputado federal Geraldo Resende destinou R$ 8 milhões para a construção e aquisição de equipamentos do hospital. (Foto: Juliano Almeida)
A implantação do hospital está orçada em R$ 15 milhões, valor que contempla a conclusão da obra e a aquisição de todos os equipamentos necessários para o funcionamento da unidade. Até o momento, o deputado federal Geraldo Resende (União Brasil) destinou R$ 8 milhões em emendas parlamentares, sendo R$ 7 milhões já aplicados na construção e R$ 1 milhão, já empenhado, para a compra de equipamentos.
A Apae de Campo Grande também investiu R$ 814.054,02 de recursos próprios. Com isso, os investimentos efetivamente aplicados na implantação do hospital somam R$ 7.814.054,02. Para que a unidade entre em operação totalmente equipada, ainda serão necessários cerca de R$ 6,2 milhões.
Durante a entrega do prédio, o parlamentar afirmou que o hospital preenche uma lacuna histórica na rede pública de saúde. “Era preciso criar um espaço específico para crianças e adolescentes com deficiência. Hoje, muitas cirurgias são marcadas com antecedência, mas acabam suspensas por causa de casos de urgência. Isso obriga as famílias a enfrentarem um verdadeiro calvário para conseguir um novo agendamento”, disse.
Com a conclusão da obra, a Apae agora busca recursos para equipar totalmente a unidade e iniciar os atendimentos no início do próximo ano.
Autoridades participaram da entrega de parte da obra do Hospital da Criança e do Adolescente com Deficiência, na manhã desta quinta-feira (Foto: Juliano Almeida)
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Fonte:Campograndenews.com.br Autor:
*Conteúdo produzido com suporte de IA



