Conheça Heitor, o menino que usa Zé Neto e Cristiano no tratamento

Conheça Heitor, o menino que usa Zé Neto e Cristiano no tratamento
Aniversário de 9 anos do menino foi em homenagem a dupla que ele é fã

Fã da dupla desde pequeno, menino usa as músicas nas terapias e sonha em conhecer os artistas

Aniversário de 9 anos do menino foi em homenagem a dupla que ele é fã

Quando chamam por Heitor, nem sempre ele responde. Mas basta alguém dizer “Zé Neto” que o menino de quase 10 anos imediatamente levanta a cabeça. Em alguns dias, ele arruma o cabelo com topete, imita as expressões do cantor sertanejo que faz dupla com Cristiano e avisa, com a maior naturalidade do mundo, que a barba dele também será marrom quando crescer.

A família já se acostumou. Os amigos também. O que ninguém consegue explicar direito é como um garoto consegue reconhecer uma música de Zé Neto e Cristiano nos primeiros segundos, antes mesmo da primeira palavra da letra. Em casa, ganhou um apelido: é o “Pablo” do antigo programa Qual é a Música?.

A paixão começou cedo. Ainda pequeno, Heitor ouviu “Largado às Traças” e, como não conseguia falar o nome da canção, passou a chamá-la de “Fogo com Gasolina”. O apelido ficou. A música também.

“A paixão do Heitor por Zé Neto e Cristiano começou quando ele ainda era muito pequeno. A primeira música que marcou foi ‘Largado às Traças’. Na época, ele não conseguia falar o nome da música e a chamava de ‘Fogo com Gasolina’, por causa de um trecho que tinha chamado sua atenção”, conta a mãe, Michella Correa.

Com o tempo, a dupla virou parte da rotina. As terapeutas usam músicas e vídeos dos artistas para estimular a comunicação, a alfabetização, a pronúncia das palavras e a concentração. O caderno de fonoaudiologia tem atividades inspiradas nas canções que ele mais gosta. Quando uma tarefa parece difícil, a música costuma abrir caminho.

“A música tem um papel muito importante na vida do Heitor. Ela está presente no seu dia a dia, nas terapias e até mesmo no processo de aprendizagem. Muitas vezes, quando uma tarefa parece difícil, a música se torna uma ponte para que ele participe e se envolva”, diz Michella.

O repertório ele conhece de cor. E não só as músicas. Heitor acompanha entrevistas, shows e conversas de palco. Repete frases dos artistas e, às vezes, entra completamente no personagem. Em uma sessão de terapia, ao ser perguntado para onde seus bonecos estavam indo brincar, respondeu sem hesitar: “Vamo aí no buteco tomar uma cachaça.”

Também existem dias em que ele simplesmente decide que não é mais Heitor. É Zé Neto. “Às vezes ele entra totalmente no personagem e diz que é o próprio Zé Neto. Também imita gestos, falas e até algumas expressões usadas durante os shows”, relata a mãe.

Até as atividades de Heitor tem a ver com a música de Zé Neto e Cristiano. (Foto: Arquivo Pessoal)

Por trás da coleção de músicas, porém, existe uma história maior. Com apenas 15 dias de vida, Heitor sofreu uma grave hemorragia intracraniana. Vieram cirurgias, internações, crises convulsivas, terapias e, mais tarde, os diagnósticos de paralisia cerebral e Transtorno do Espectro Autista (TEA nível 1).

A rotina dele passou a incluir fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e muitas outras intervenções. Foi justamente nesse caminho que a música encontrou espaço.

“Hoje, perto dos seus 10 anos, olhar para o Heitor cantando, sorrindo, aprendendo e sonhando é testemunhar um verdadeiro milagre de amor, misericórdia e perseverança”, afirma Michella.

No ano passado, a família conseguiu comprar ingressos para levá-lo a um show da dupla. Mas a apresentação acabou não acontecendo por causa da interrupção da agenda dos artistas. O sonho ficou para depois.

Em julho, Zé Neto e Cristiano têm show marcado em Campo Grande (MS), durante a Festa Julina da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). A família espera que essa seja a oportunidade para que o menino que às vezes esquece que se chama Heitor possa, finalmente, encontrar os artistas que acompanham suas terapias, seus aprendizados e boa parte das lembranças da infância. Quando perguntam se gostaria de conhecer a dupla, aliás, ele costuma responder sem pensar muito: “Mas eu já conheço eles!”

Fonte:Campograndenews.com.br Autor:

*Conteúdo produzido com suporte de IA