Com dó dos animais abandonados, Rogério passou a cuidar dos felinos para não deixá-los na rua
Rogério Silva com gatinho adotado no coloco ao lado de placa de aviso para não abandonarem os pets em frente a casa dele (Foto: Paulo Francis)
O artesão Rogério Silva, de 62 anos, resolveu recorrer a sinalização de aviso para enfrentar um problema que só cresce em frente à sua casa, no loteamento Cristo Redentor.
O artesão Rogério Silva, residente no loteamento Cristo Redentor, utilizou o humor para combater o abandono de animais em sua residência. Após instalar uma placa criativa, o morador, que já abriga onze gatos e dezoito galinhas, conseguiu interromper o descarte frequente de felinos em sua porta. Silva relata dificuldades financeiras e logísticas para manter os animais, buscando agora apoio para castrações e novos adotantes responsáveis a fim de evitar o crescimento da colônia local.
Dono de 11 gatos, ele colocou uma placa com a frase “Ho Loko mano, minha casa não é depósito de gato não”, na esperança de convencer moradores da região a deixarem de abandonar animais no local.
Segundo Rogério, a estratégia parece ter funcionado. A placa foi colocada há cerca de duas semanas e, desde então, nenhum novo gato foi deixado na porta de sua residência.
O número de animais aumentou rapidamente. Ele conta que começou com apenas dois gatos, chegou a adotar outros três por conta própria, mas, somente no último mês, outros quatro felinos foram abandonados em frente à sua casa.
“Já deixaram aqui um gato branco, preto, um antigo, um gato bem idoso, e daí vai aumentando a quantidade de gatos adotados sem a gente querer porque abandonam aqui em frente de casa”, relata.
Rogério acredita que os abandonos acontecem porque os moradores sabem que ele cuida dos animais.
“Eu não tenho ideia de quem fica deixando os gatos aqui. Coloquei a plaquinha para os vizinhos, porque às vezes a pessoa é daqui da região, sabe que eu tenho muitos gatos e pensa: ‘vamos jogar mais um lá’.”
Gatos adotados e resgatados do abandono no quintal da casa de Rogério (Foto: Paulo Francis)
Apesar de não concordar com a situação, ele afirma que não consegue ignorar os animais. “Eu não maltrato, eu cuido dos gatos, vou fazer o quê, né? A verdade é que eu estou assumindo uma responsabilidade que não é minha. Mas a gente vai cuidando enquanto pode, faz parte da vida.”
Entre os 11 gatos, alguns foram resgatados das ruas. Um dos casos que mais marcou Rogério foi o de uma ninhada de três filhotes abandonada em frente à sua casa. Dois deles morreram, mas um gatinho preto sobreviveu e acabou se tornando o “xodó” da família.
Rogério Silva em frente a sua residência concedendo entrevista para o Campo Grande News (Foto: Paulo Francis)
“Eu não sou veterinário, então para mim ter essa percepção foi um pouquinho demorada. Mas deu tempo de salvar ele. Eu via os gatinhos me olhando, chorando, parecia que estavam pedindo socorro. Até hoje tenho essa imagem na cabeça.”
Além dos gatos, Rogério também cria 18 galinhas e diz que todos os animais recebem cuidados.
“Os animais aqui também não têm culpa. Igual as galinhas, eu tenho 18 galinhas, e elas vão nascendo também.”
Cuidar de tantos animais também traz prejuízos. Rogério lembra que perdeu uma televisão recém-paga por causa de um dos gatos.
“Eu tinha acabado de pagar a TV. Deixei um saco de ração perto do armário e um dos gatos foi marcar território, urinou em cima da televisão e ela queimou.”
Agora, a principal preocupação é conseguir castrar os animais para evitar que a população de gatos aumente ainda mais.
“Eu comecei tendo dois gatos, daí foi evoluindo. Já estou com 11 agora. Comecei a ter muitos recentemente por conta desse abandono. Agora tem que castrar todos eles para cessar as crias, senão vai ter 20 ou 30 para criar.”
Rogério também conta com a ajuda de um vizinho, que contribui com ração e cuida dos animais quando ele precisa viajar.
Adoção – Como já não consegue assumir novos animais, Rogério pretende encontrar novos lares para alguns dos gatos que foram abandonados em sua casa. Os interessados em adotar um dos felinos podem entrar em contato pelo telefone (67) 99686-7952.
Rogério faz um apelo para que a população deixe de praticar o abandono, lembrando que a responsabilidade pelos pets deve ser assumida por quem decide criá-los.
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Fonte:Campograndenews.com.br Autor:
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