Couro brasileiro fica isento da lista de produtos tarifados pelos EUA

Couro brasileiro fica isento da lista de produtos tarifados pelos EUA
Volume exportado atingiu um recorde histórico no acumulado até maio de 2026  • Divulgação JBS


O setor brasileiro de couro ficou de fora da lista de produtos brasileiros atingidos pela sobretaxa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos. O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) confirmou que determinados tipos de couro produzidos no Brasil foram incluídos entre as exceções da medida por serem considerados insumos estratégicos para a indústria norte-americana.

A decisão beneficia determinados couros classificados na HTS (Tabela Tarifária Harmonizada dos Estados Unidos), incluindo meios de couro com área inferior a 2,6 metros quadrados nas categorias wet blue, crust, acabado e couro com pelo.

De acordo com o CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), a exclusão dos produtos da sobretaxa foi resultado de um trabalho conjunto entre a entidade, empresas do setor e representantes da cadeia produtiva do couro, que participaram de consultas públicas e realizaram articulações junto ao governo brasileiro, à CNI (Confederação Nacional da Indústria), entidades parceiras e empresas norte-americanas.

A justificativa apresentada pelo USTR para manter esses produtos fora da sobretaxa está relacionada à importância do couro brasileiro como matéria-prima para segmentos industriais dos Estados Unidos.

Segundo o órgão, os materiais são considerados insumos essenciais para as indústrias automotiva, moveleira e calçadista, que dependem do fornecimento brasileiro devido ao volume disponível e ao padrão de qualidade, sem fornecedores alternativos capazes de atender à demanda.

Além disso, o setor acompanha uma nova frente de investigação conduzida pelo USTR, desta vez relacionada a possíveis práticas de trabalho forçado. Caso sejam confirmadas irregularidades, uma nova decisão poderá impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos originários de mais de 60 países, incluindo o Brasil.

União Europeia

A Comissão Europeia propôs retirar o couro bovino brasileiro do escopo do EUDR (Regulamento Europeu Antidesmatamento). A proposta foi apresentada em maio de 2026 e formalizada em 13 de julho por meio de um Ato Delegado, que exclui do Anexo I da EUDR os códigos tarifários peles e couros bovinos brutos, couros curtidos e crust e couro bovino acabado.

Segundo a Comissão Europeia, argumenta que os curtumes europeus enfrentam dificuldades para atender às exigências de rastreabilidade previstas na regulamentação.

A proposta não altera as regras para a carne bovina, que continuará sujeita às exigências da EUDR, incluindo a comprovação de origem livre de desmatamento e a rastreabilidade da cadeia produtiva.

Exportações 

De acordo com o levantamento da Scot Consultoria mostram que o volume exportado atingiu um recorde histórico no acumulado até maio de 2026. Foram embarcadas 274,8 mil toneladas de couro, o maior volume já registrado para o período.

O crescimento, entretanto, não foi suficiente para elevar a receita das exportações.

No primeiro quinquemestre de 2026, o faturamento do setor somou US$ 450,8 milhões, representando uma queda de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025 e de 17,7% na comparação com os cinco primeiros meses de 2024.

Segundo a Scot, a redução na receita ocorreu em razão da mudança no perfil dos produtos exportados. Embora o volume embarcado tenha aumentado, houve maior participação de categorias de couro com menor grau de processamento e, consequentemente, menor valor agregado.

A cadeia produtiva do couro é composta por diferentes etapas industriais, que agregam valor ao produto ao longo do processamento.

O primeiro estágio é o couro salgado, correspondente à pele bovina bruta conservada com sal logo após o abate, sem qualquer tratamento químico.

Na sequência está o wet blue, resultado do curtimento com sulfato de cromo trivalente. Trata-se da categoria mais comercializada no mercado internacional devido à sua estabilidade, facilidade de armazenamento e transporte.

Depois vem o crust, também conhecido como couro semiacabado, que passa por processos de recurtimento, secagem e tingimento, mas ainda não recebe o acabamento final.

O couro acabado representa o estágio de maior valor agregado, sendo o produto pronto para utilização na fabricação de calçados, estofados, móveis, artigos automotivos, bolsas e outros produtos de consumo.

Também fazem parte das exportações as aparas, retalhos e recortes gerados durante o processamento industrial, além dos couros reconstituídos.

A maior participação de produtos em estágios intermediários ou de menor valor agregado explica por que o crescimento do volume exportado não foi acompanhado pelo avanço das receitas.



Fonte:CNNBrasil Autor: andressasimao

*Conteúdo produzido com suporte de IA