TJMS determina acolhimento de animais pela Prefeitura de Campo Grande

TJMS determina acolhimento de animais pela Prefeitura de Campo Grande
Vários gatos adultos reunidos em ONG de proteção animal após serem vítimas de abandono e maus-tratos. (Foto: Arquivo/Marcos Maluf)

Decisão restabelece ordem suspensa em 2023 e exige rede de apoio a cães e gatos em Campo Grande

Vários gatos adultos reunidos em ONG de proteção animal após serem vítimas de abandono e maus-tratos. (Foto: Arquivo/Marcos Maluf)

A 4ª Câmara Cível do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) determinou que a Prefeitura de Campo Grande volte a assumir o acolhimento de animais abandonados e pague os custos de ONGs (Organizações Não-Governamentais) e protetores, ao restabelecer uma decisão suspensa em 2023, nesta terça-feira (20), na Capital.

A Justiça determinou que a Prefeitura de Campo Grande retome o acolhimento de animais abandonados e arque com os custos de ONGs e protetores. A decisão da 4ª Câmara Cível do TJMS restabelece ordem suspensa em 2023, que havia sido interrompida após alegação de impacto financeiro de R$ 18 milhões anuais.O município deverá criar uma rede de acolhimento para cães e gatos, incluindo programa de famílias acolhedoras, serviços veterinários e ações de incentivo à adoção. O Ministério Público estabeleceu prazo de 30 dias para comprovação do cumprimento das medidas, que valem até o julgamento final do processo.

A ordem obriga o município a criar uma rede de acolhimento para cães e gatos resgatados das ruas, com apoio financeiro a quem já mantém os animais. A decisão vale até o julgamento final do processo.

Entre as medidas, a prefeitura deve pagar despesas com ração, limpeza, cuidadores, medicamentos e atendimento veterinário dos animais abrigados por ONGs e protetores que atendam aos critérios exigidos.

O município também precisa organizar um programa de famílias acolhedoras, com cadastro e regras próprias, além de garantir serviços como castração, vacinação, vermifugação e identificação dos animais.

A decisão ainda prevê ações de incentivo à adoção, educação ambiental e posse responsável, com realização periódica de feiras para encaminhar os animais a novos lares.

O mesmo processo já havia gerado decisão semelhante em novembro de 2023, quando a Justiça obrigou a prefeitura a custear o atendimento. Dias depois, o então presidente do TJMS suspendeu a ordem, após o município alegar impacto financeiro de quase R$ 18 milhões por ano.

Na justificativa apresentada ao Tribunal, a PGM (Procuradoria-Geral do Município) alegou que o pedido ocasionaria grave lesão às finanças da prefeitura, já que haveria impacto orçamentário estimado de R$ 17.952.000. “Fazendo com que deixe de prestar serviços essenciais à população, inclusive, outros serviços relacionados à própria política de bem-estar animal devidamente previstos e programados”, justificou o procurador.

A Comissão de Defesa dos Direitos Animais da OAB/MS (Ordem dos Advogados de Mato Grosso do Sul) estima que na Capital milhares de animais vivem em abrigos independentes. Levantamento, feito entre abril e agosto de 2024, encontrou 2,8 mil bichos nessa situação.

Agora, o Tribunal voltou a exigir o cumprimento das medidas. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pediu que a prefeitura comprove, em até 30 dias, que colocou a decisão em prática.

O julgamento do mérito ainda não ocorreu.

Fonte:Campograndenews.com.br Autor:

*Conteúdo produzido com suporte de IA